Portfólio

Poltrona Fé

A poltrona Fé nasce do encontro entre Brasil e Itália — dois territórios profundamente marcados pela espiritualidade, pelos rituais coletivos e pela relação simbólica entre fé e matéria. Inspirada nas fitinhas do Nosso Senhor do Bonfim, a peça transforma um gesto popular brasileiro em experiência participativa e contemporânea. Sua estrutura orgânica em gradil metálico remete às grades das igrejas, lugares onde desejos, promessas e agradecimentos são deixados anonimamente ao longo do tempo.
Apresentada no SaloneSatellite 2026, a obra é construída coletivamente pelos próprios visitantes. Cada pessoa é convidada a escolher uma fitinha colorida e amarrá-la à estrutura da poltrona, realizando um pedido a cada um dos três nós. Segundo a tradição popular baiana, os desejos devem ser feitos no momento do gesto, e se realizam quando a fita se rompe naturalmente. Assim, a peça deixa de ser apenas um objeto de design e passa a carregar memórias, intenções e histórias compartilhadas.
A cada nova fita, a poltrona se transforma visual e simbolicamente. O aço rígido recebe cor, movimento e afeto; a estrutura industrial ganha dimensão humana e espiritual. Fé propõe um diálogo entre tradição e contemporaneidade, design e ritual, autoria e participação coletiva — tornando-se não apenas uma poltrona, mas um manifesto sobre conexão, esperança e pertencimento.

Tapete Pôr do Sertão

O tapete Pôr do Sertão, criado por Tavinho Camerino para a Tapetah, revela uma Alagoas que vai além do litoral, mergulhando na paisagem poética do sertão às margens do Rio São Francisco. O desenho traduz, de forma quase abstrata, o horizonte sertanejo: o sol se pondo lentamente, o mandacaru recortando a paisagem e as curvas silenciosas do rio compondo uma cena de beleza simples e profunda. As formas geométricas e a paleta inspirada nos tons do entardecer transformam a memória da paisagem em uma composição contemporânea e afetiva.

Mais do que representar um lugar, o tapete captura um momento. No sertão, o pôr do sol marca a chegada do frescor após o calor intenso do dia — a hora em que as pessoas saem de casa, ocupam as calçadas e as praças, sentam suas cadeiras para conversar e compartilhar o tempo. O Pôr do Sertão nasce dessa atmosfera de acolhimento e convivência, carregando a força da terra, a memória do interior e o conforto dos encontros cotidianos em uma peça que conecta tradição, identidade e permanência.

Poltrona Arreio

A poltrona Arreio é uma peça única, produzida com peças de couro encontradas em feiras livres no sertão de Alagoas. A sua estrutura é feita a partir de arreios de montaria de cavalo em couro, o que confere uma resistência e durabilidade incomparáveis. A madeira cumaru é o material utilizado para a confecção da base da poltrona, o que a torna ainda mais robusta e imponente. As hastes de aço utilizadas para dar forma à peça são cuidadosamente trabalhadas e integradas à estrutura da poltrona, garantindo estabilidade. O couro utilizado na confecção da poltrona Arreio apresenta um aspecto rústico e marcante, com suas imperfeições e texturas naturais. A peça é repleta de detalhes que denotam a sua origem e história, fazendo com que cada exemplar seja único e especial. As almofadas são feitas em tecido de linho, o que confere uma harmonia perfeita ao conjunto. Além disso, a poltrona é uma homenagem à cultura do sertão de Alagoas e aos seus artesãos, que transformam materiais aparentemente simples em uma verdadeira peça de design.

Luminária Rebenque

A Luminária Rebenque é uma peça única e autêntica que apresenta um design experimental fascinante. Produzida a partir da união de chicotes de couro tradicionais, geralmente encontrados em feiras livres no sertão de Alagoas, essa luminária é um exemplo brilhante da habilidade humana de transformar materiais aparentemente simples em algo extraordinário. Com sua aparência inusitada, a Luminária Rebenque apresenta uma estrutura simples, onde cada chicote de couro é cuidadosamente posicionado e costurado à mão, resultando em uma combinação harmoniosa de curvas e formas, com processo de produção artesanal para garantir que cada peça seja única. Quando acesa, a Luminária Rebenque emite uma luz suave e aconchegante, criando um ambiente acolhedor e convidativo. Seu estilo rústico e ao mesmo tempo sofisticado é perfeito para uma decoração moderna e autêntica, onde cada detalhe é importante e contribui para a beleza do ambiente. É uma peça que transmite a história e a cultura do sertão de Alagoas, com sua beleza singular e sua construção artesanal.

Tapete Ilha dos Anjos

O Tapete Ilha dos Anjos, da Tapetah, é uma criação que traduz em forma e textura a poesia natural do Rio São Francisco. Inspirado nas curvas sinuosas do rio e na delicadeza da Ilha dos Anjos, localizada em frente à Ilha do Ferro, o desenho nasce como uma interpretação sensível da paisagem, onde linhas orgânicas se encontram em um fluxo contínuo, evocando movimento, serenidade e conexão com a natureza.

A composição do tapete remete a uma vista aérea, quase cartográfica, onde a ilha e o curso do rio se revelam de maneira abstrata e sofisticada. Essa leitura transforma o objeto em uma peça de design autoral que vai além da função, trazendo consigo narrativa, identidade e pertencimento. O resultado é um tapete que carrega a essência do território brasileiro, reinterpretado com elegância contemporânea.

Banco Ciça

Unindo sustentabilidade, a ancestralidade do saber feito à mão com o uso de materiais industriais, Tavinho equilibra tradição e contemporaneidade nas peças da sua coleção Taboa. As criações prezam pelo respeito à essência do artesanato – em específico o alagoano – e são pensadas e elaboradas junto com as artistas, criando formas e adaptando técnicas a fim de interferir o mínimo possível nos processos originais. Todos os itens foram criados em colaboração com uma comunidade de artesãs de Feliz Deserto, cidade litorânea de Alagoas, Brasil. É de lá que elas extraem as fibras naturais de taboa, planta nativa das margens do rio, em seguidas secam e trançam a folhagem para criação de objetos que fazem parte do dia a dia da sua cultura, como cestos, bolsas e utensílios para casa. O banco Ciça desenvolvido com fibra de palha de taboa e alumínio em sua base, em uma mescla de conforto, arrojamento e autenticidade. “O nome do banco é o jeito popular de falar o nome Cícera, comum nas comunidades em que passo. Ciça representa a simplicidade e a força do povo nordestino”.

Luminária L.Anp

Unindo sustentabilidade, a ancestralidade do saber feito à mão com o uso de materiais industriais, Tavinho equilibra tradição e contemporaneidade nas peças da sua coleção Taboa. As criações prezam pelo respeito à essência do artesanato e são pensadas e elaboradas junto com as artesãs, criando formas e adaptando técnicas a fim de interferir o mínimo possível nos processos originais. Todos os itens foram criados em colaboração com uma comunidade de artesãs de Feliz Deserto, cidade litorânea de Alagoas, Brasil. É de lá que elas extraem as fibras naturais de taboa, planta nativa das margens do rio, em seguidas secam e trançam a folhagem para criação de objetos que fazem parte do dia a dia da sua cultura, como cestos, bolsas e utensílios para casa. A Luminária L.ANp tem sua cúpula em fibra de taboa trançada e é produzida em parceira com a Associação de Artesãs de Feliz Deserto, Alagoas. Seu nome faz referência ao nome Ana, uma das artesãs da comunidade. 

Poltrona Prosa

A memória afetiva de Alagoas é o fio condutor das criações do designer Otávio Camerino, que encontra na cultura local a base para peças carregadas de identidade e significado. Na Poltrona Prosa, essa inspiração se traduz em formas acolhedoras e na valorização do fazer manual, resultando em um objeto que une originalidade e proximidade emocional com o território.

Produzida em parceria com artesãs da tecelagem do Povoado do Salgado, em Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano, a peça resgata a essência das tradicionais espreguiçadeiras e o hábito de levar as cadeiras para a calçada ao entardecer. Mais do que um assento, a Poltrona Prosa celebra o encontro, a conversa e o tempo desacelerado — um convite a reviver o simples prazer de prosear.

Banco Barro

O Banco Barro nasce como um encontro entre saberes, resultado da cocriação entre o designer Tavinho Camerino e João Carlos, filho do mestre João das Alagoas, na cidade de Capela. Pelas mãos do artesão, o projeto ganha materialidade e alma, traduzindo um diálogo sensível entre o fazer contemporâneo e a tradição local. A peça explora o contraste entre o aço — preciso, industrial — e o barro batido — orgânico, ancestral — criando um equilíbrio potente entre matéria, tempo e território.

Composto por três módulos independentes, o banco se revela versátil tanto no uso quanto na composição. As peças podem ser utilizadas juntas, formando um banco alongado, ou separadas, assumindo novas funções no espaço. Um dos módulos, com superfície lisa, funciona também como mesa de apoio, ampliando as possibilidades de uso. Mais do que mobiliário, o Banco Barro é uma expressão de identidade, onde técnica, cultura e design coexistem em harmonia.

Mesa Manguezal

A Mesa Manguezal nasce da interpretação das paisagens do litoral alagoano e da força orgânica dos mangues. Sua base em metal faz referência às raízes do manguezal, traduzidas em linhas retangulares e assimétricas, criando uma estrutura de aparência incerta e dinâmica — como se algumas raízes se perdessem no ar antes de alcançar o chão. O desenho explora equilíbrio, leveza e tensão, transformando a natureza em linguagem contemporânea.
Em contraste com o aço industrial, o tampo em madeira maciça de coqueiro carrega o calor e a textura do trabalho artesanal. Produzido por artesãos do litoral norte de Alagoas, o acabamento preserva as marcas naturais da matéria e reforça a conexão com o território. A união entre o metal e a madeira revela o diálogo entre indústria e fazer manual, tradição e contemporaneidade.
Mais do que uma mesa, a peça é uma tradução afetiva da paisagem costeira brasileira — um encontro entre técnica, natureza e cultura local, onde cada elemento carrega a memória e a identidade do lugar de onde veio.

Banqueta Buruçu

A Banqueta Buruçu traduz em forma a energia espontânea e irreverente presente no próprio significado da palavra nordestina que lhe dá nome: confusão, mistura, movimento e algazarra. Seus pés em metal se cruzam em linhas aparentemente desordenadas, criando uma estrutura dinâmica e instintiva, onde o equilíbrio nasce justamente do caos. O desenho provoca um olhar curioso, revelando diferentes composições a cada ângulo.
Em contraste com essa base industrial, o assento em madeira maciça de coqueiro traz a presença do fazer manual e da matéria natural. Produzido por artesãos do litoral norte de Alagoas, o assento apresenta traços geométricos que contrapõem as formas orgânicas dos coqueiros, criando um diálogo entre rigidez e fluidez, precisão e natureza.
A Banqueta Buruçu é o encontro entre o aço e a madeira, entre o urbano e o artesanal. Uma peça que carrega a identidade brasileira de maneira contemporânea, celebrando a imperfeição, o improviso e a beleza que existe nas misturas inesperadas.